É uma planta fascinante que combina uma estética escultural com uma "inteligência" fisiológica raríssima no reino vegetal. Muito comum no paisagismo brasileiro, ela é nativa das restingas e matas tropicais, sendo apelidada por alguns de "abacate-bravo" ou "árvore-de-autógrafos, é um arbusto ou árvore de pequeno porte que pode atingir de 2 a 6 metros de altura. Suas características físicas refletem sua adaptação a ambientes de sol forte e ventos constantes. Suas folhas são o maior destaque ornamental. São simples, opostas, coriáceas (textura de couro), rígidas e obovadas (formato de gota invertida). Possuem uma cor verde-escura brilhante e uma cutícula muito espessa, que ajuda a evitar a perda de água, os frutos são cápsulas globosas que, ao amadurecerem, abrem-se em seções (deiscência), revelando sementes envolvidas por um arilo avermelhado e viscoso, muito apreciado por pássaros, as raízes: Possui a capacidade de desenvolver raízes aéreas que descem dos ramos em busca de solo, podendo comportar-se como uma planta hemiepífita (começa a vida sobre outra árvore e depois se fixa no solo). A clúsia é um dos raros exemplos de plantas arbóreas que possuem plasticidade metabólica, o que a torna um "canivete suíço" da sobrevivência, ela produz um látex viscoso e pegajoso que atua como defesa contra herbívoros e cicatrização de feridas. As flores também produzem resinas (em vez de apenas néctar), uma estratégia evolutiva para atrair abelhas específicas que usam o material na construção de colmeias, devido à sua origem em restingas, sua fisiologia é altamente tolerante à salinidade do ar e do solo, tornando-a ideal para regiões litorâneas.